O Império da Caridade, como nos refere Pedro de Merelim, no seu livro “ As 18 Paróquias de Angra”, primitivamente seria uma estrutura de madeira, e já existiria em 1867. Outro investigador, Félix José da Costa, dá-nos conta da existência dessa estrutura de madeira já em 1857. O atual edifício, em alvenaria, inaugurado em 22 de junho de 1895, foi mandado construir, na esquina da Rua do Cardoso com a Rua Pêro Anes do Canto, por Manuel Vieira Cardoso, chefe de polícia, natural da ilha do Pico, conforme desenho de Ciríaco Tavares da Silva. Este império que é também ermida dedicada a S. João Batista, tem no seu altar uma pedra de ara, que ali foi colocada pelo Bispo Dom Francisco José Ribeiro Vieira e Brito, em 1895.
Império dos Remédios
O Império dos Remédios foi erigido em 1909 no largo fronteiro ao Solar dos Remédios, antigo Orfanato Beato João Baptista Machado e hoje sede da Secretaria Regional da Saúde. Por razões urbanísticas foi, em 1959, transferido, pedra por pedra, para um terreno pertença da Confraria de São Pedro Gonçalves, à Ilharga da Ermida de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Rua Francisco de Ornelas, no Bairro do Corpo Santo. A coroa principal deste império ostenta a data de 1850 o que faz supor que áquela data, bastante antes da construção do edifício do Império, o culto ao Divino Espírito Santo já se encontrava arreigado entre os populares e era praticado naquele local. Relatos existem que dizem que aquela coroa teria sido doada pela família que habitava o Solar de Nossa Senhora dos Remédios com o fim expresso de se honrar o Divino Espírito Santo. Historicamente a gestão do Império e a promoção das festas era assegurada pelos estivadores da Parceria das Lanchas de Carregação que ao império destinavam uma soldada. Atualmente, à semelhança dos restantes impérios, as festas são promovidas por uma Comissão nomeada anualmente.
As festividades iniciam-se no Domingo da Trindade com a mudança da coroa.
Império da Rua Nova
Quanto à data da sua construção, Pedro de Merelim, no seu livro “As 18 Paróquias de Angra”, refere, e passo a citar: “A era de 1799, indicada no frontespício, se bem que remota, quicá não seja ainda o da fundação, mas somente o da erecção em alvenaria, substituindo o eventual precedente em madeira.” Situado na Rua Nova, de frente para o quartel dos Bombeiros Voluntários e da Polícia de Segurança Pública, as festas deste Império revestiam-se de pompa e eram abrilhantadas pela Banda Militar. Durante as festividades, nas décadas de 50 e 60 do século passado, eram montadas várias atrações na antiga praça do gado em frente ao Império e à ilharga da antiga Cadeia, como a pesca de pirolitos e outras, que atraíam inúmeros visitantes. Com o arrasar do recolhimento das Capuchas de São Sebastião, depois Cadeia, e a ocupação do espaço deste e do da antiga praça do gado pela atual Praça Dr. Sousa Júnior, desapareceu o principal logradouro onde decorriam as festas que, no entanto se continuam a realizar, anualmente, na Rua Nova, junto ao seu Império.
Império da Guarita
A primeira festividade deste Império, erguido em terrenos oferecidos pelo major Paula Rego, efectivou-se em 1901, por ocasião da visita régia. Começado a edificar em 11 de Outubro anterior, segundo o desenho de João da Ponte – mestre de obras, micaelense, que dirigiu a construção do palacete do comendador Silveira e Paula. O anjo é da lavra do artista Sá e Silva. O anterior teatro, em madeira, foi vendido para a Serra da Ribeirinha.
In “As 18 Paróquias de Angra”, por Pedro de Merelim.
Império do Outeiro
O Império do Outeiro é o mais antigo dos existentes na Ilha. Não falta até quem pretenda ver no império do Outeiro aquela irmandade primitiva que João Vaz Corte-Real teria aqui instituído. Apontamento que temos extraído de velha notícia, no entanto, refere ter sido no ano de 1670 a sua fundação. Uma versão remota, com fiança de verdadeira, diz que na altura do rebentamento do fogo entre o Pico Cordo e a Serra de Santa Bárbara, a 17 de Abril de 1761, de todas as coroas de impérios que ao sítio acorreram, suplicando clemência ao Senhor Espírito Santo de acendrada devoção popular, foi a do Outeiro a primeira a chegar. E, premiando este facto, el-rei D. José I, em Alvará especial, concedeu à dita coroa o privilégio de sempre a direita tomar às demais, quando em procissão.
Transcrito do livro “As 18 paróquias de Angra”, do investigador Pedro de Merelim, publicado em 1974.
Império da Irmandade do Espírito Santo da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo
O Império da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo está localizado no Largo do Império, no Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia, freguesia de Nossa Senhora da Conceição, Concelho de Angra do Heroísmo, ilha Terceira.
Este imóvel foi construído em 1998 e realiza a sua festa, em louvor do Divino Espírito Santo, no sexto domingo depois da Páscoa, ou seja, no domingo anterior ao dia de Pentecostes.
O programa festivo deste culto inicia-se no domingo anterior ao da realização da festa com a “Mudança de Coroa” da casa do irmão a quem saiu a respetiva dominga para o Império da Santa Casa da Misericórdia. O cortejo é acompanhado por uma filarmónica.
Fazem parte do programa da festa diversas atividades de natureza cultural e religiosa, tais como: o bodo de leite, no qual participam as crianças das Creches/Jardim de Infância da SCMAH e de outras Instituições da comunidade. A todos é oferecido leite e massa sovada. Realizam-se também atuações de grupos culturais diversos e cantigas ao desafio. Os alunos da Escola Profissional da Misericórdia de Angra, por vezes, também apresentam algumas atividades que enriquecem o programa cultural da festa. Ainda durante a semana, o programa integra a Recitação do Terço, o Bazar e a “Tasca”.
No sábado que antecede o dia da festa, procede-se ao pagamento das Irmandades. No domingo, realiza-se o Cortejo da Coroação, abrilhantado por uma filarmónica, o qual parte da Rua de S. João, em direção à Igreja da Misericórdia, onde é celebrada a Missa e a Coroação. Após este ato litúrgico, tem lugar, no pavilhão da Misericórdia, em S. Carlos, o típico almoço “função regional”, o qual é composto por sopa, cozido, alcatra e arroz doce.
Império da Urbanização do Lameirinho
Na sequência do forte sismo que abalou a ilha Terceira no dia 1 de janeiro de 1980 surgiu a Urbanização do Lameirinho para acolher os desalojados do referido abalo.
A forte devoção popular e a iniciativa de Luís Carlos Ferreira ao qual se juntou um grupo de crentes, levou a que, logo em agosto de 1981, estava o Bairro ainda numa fase inicial da sua construção, ali se fizessem as primeiras festividades em louvor da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, numa estrutura feita de madeira e faias.
Um incêndio veio a destruir essa estrutura, que seria substituída por outra igualmente em madeira. Mais tarde uma comissão exclusivamente formada por mulheres deitou mãos à obra de construir o primeiro império em alvenaria que foi inaugurado em 4 de agosto de 1991.
A Secretaria Regional de Obras Públicas e a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo ajudaram com os materiais, e a mão-de-obra foi fornecida pelos moradores do bairro sob orientação do empreiteiro José Moleiro.
Abaixo se registam os nomes das mulheres dessa Comissão que também foi a primeira Comissão de Festas do novo Império: Ana Stuart, Cecília Fisher, Délia Silveira, Jacinta Ávila, Lúcia Pereira, Mafalda Santos, Manuela Sanches, Matilde Ferreira, Natália Medeiros e Nélia Silveira.
A expansão do Bairro ditou a demolição deste império que foi substituído pelo atualmente existente noutra localização e construído pela Câmara Municipal. Este último foi inaugurado em 20 de agosto de 2006.
A festa realiza-se, anualmente, em agosto.
Império do Lameirinho
Do arquivo deste Império consta uma cópia dos Estatutos datada de 14 de junho de 1935.
Nesta data é instituída na freguesia da Conceição uma Irmandade do Espírito Santo, cuja sede é no lugar do Lameirinho.
Se foi instituída uma Irmandade em 1935, tudo leva a crer que algo já existia. No livro Tauromaquia Terceirense de Pedro de Merelim, ele faz referência a um espetáculo na praça de toiros da Canada Nova com uma bandarilheira cá da ilha, de nome Maria Vitorina das Neves, a favor do Império do Lameirinho, em 1896.
O fim da Irmandade é prestar culto à terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Nos primórdios da vida desta Irmandade, no domingo do Espírito Santo e no domingo da Santíssima Trindade, isto é nos domingos de bodo, distribuía-se pão de água por todos os irmãos e pelas pessoas que, porventura, passassem na rua. Uso este que teve pouca dura.
Na década de 60 as festas neste Império eram no último domingo do mês de Julho. Pelo motivo das festas da Guarita coincidirem na mesma época alteraram para o segundo domingo de agosto.
No primeiro domingo há a ladainha ou mudança de coroa, ao longo da semana reza-se o terço e no segundo domingo há a coroação que sai do Império em direção à ermida de Nossa Senhora do Desterro.
São órgãos desta Irmandade a Mesa e a Comissão das Festas.
Não existe nenhuma documentação que indique a data da 1ª construção deste Império.