CICLO DE PALESTRAS
Conforme foi noticiado realizou-se no passado dia 3 do corrente, no auditório da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, um Ciclo de Palestras subordinado ao tema " As Confrarias Religiosas: História, Realidade e Perspectivas."
Foram oradores, perante uma assistência interessada que se deslocou ao Auditório em dia em que as solicitações eram várias e particularmente chamativas, o Doutor Reis Leite, o Dr. Maduro Dias, o Eng. Luís Roma, Juiz da Régia Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e o Prof. Doutor Luís Casimiro, da Universidade do Porto, em representação da Confraria da Imaculada Conceição do Monte Sameiro.
Seguiu-se uma Mesa Redonda com representantes das Confrarias presentes que serviu para aquelas falarem das suas atividades, dificuldades e projetos futuros, numa troca de experiências que a todos aproveitou.
À Sessão de Abertura presidiu, na ausência por motivos de doença do Reitor do Santuário, o Vigário Paroquial, Padre Pedro Lima,
O Ciclo de Palestras foi encerrado, pelas dezanove horas, com uma Missa no Santuário de Nossa Senhora da Conceição com a presença das Confrarias usando as suas insígnias.
As intervenções, de grande qualidade, foram muito apreciadas e esta jornada foi unanimemente considerada de grande interesse para o esclarecimento e formação dos participantes no Ciclo ligados às Confrarias.
Na sua intervenção inicial, Duarte Mendes, Juiz da Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Angra do Heroísmo, disse das expetativas que tinha para este Ciclo e, de algum modo, estabeleceu os parâmetros que haveriam de servir de orientação aos trabalhos.
Abaixo se transcreve a intervenção proferida e espera-se poder publicar oportunamente, nesta página, os trabalhos dos outros participantes, quando e se nos forem disponibilizados.
Palavras proferidas por Duarte Mendes na Sessão de Abertura dos Trabalhos
Começo por me regozijar com a presença dos confrades e das confreiras bem como dos representantes de outras Obras e Movimentos da Igreja e público em geral que, em dia tão complicado, porque são tantas as solicitações que hoje se nos põem, entenderam este evento suficientemente apelativo para se deslocarem até este salão e connosco refletirem o presente e o futuro das Confrarias Religiosas.
Agradeço aos conferencistas por terem acedido ao nosso pedido para aqui apresentarem trabalhos que orientarão a nossa reflexão. Uma palavra especial de boas vindas e de simpatia para os que se deslocaram de Vila Viçosa e do Sameiro.
Agradecimentos extensivos aos moderadores dos trabalhos.
Agradecimentos, também, devidos à Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo pela cedência deste magnífico espaço.
Minhas senhoras e meus senhores, caros confrades e confreiras.
A Confraria de Nossa Senhora da Conceição de Angra do Heroísmo vai comemorar, a 6 de dezembro de 2017, o 3º centenário da sua fundação, que não de atividade porque essa esteve interrompida por quase um século.
Confraria nova de, de treze anos, após a sua reinstalação, num processo de aprendizagem e de afirmação, tendo no topo das suas prioridades a formação dos seus membros, entendeu que seria de todo o interesse incluir no seu Programa de Comemorações um ciclo de palestras protagonizado por autoridades abalizadas na matéria que fornecessem as bases teóricas para a reflexão, tão necessária, sobre as várias vertentes por que esta realidade das confrarias pode ser vista.
O título que escolhemos, “As Confrarias Religiosas: História, Realidade e Perspetivas”, dentro da sua ampla abrangência, já dá, de algum modo, indicação da orientação que gostaríamos que os trabalhos seguissem. Conhecer a filosofia que presidiu ao aparecimento das confrarias e sua história de associação para dar resposta às preocupações e carências dos nossos irmãos na Fé é fundamental para sabermos porque é que estamos aqui.
Mas refletir sobre o que são as confrarias, hoje, sua utilidade e necessidade, é a preocupação imediata.
Afinal o que andamos aqui a fazer, hoje. Ainda se justificam as confrarias? Quais eram as nossas expectativas quando decidimos entrar para a confraria? Será que isso alterou as nossas vidas e tornou-nos mais próximos de Deus, mais solidários? Que rumo tomou a nossa confraria e que outro rumo poderia ter tomado? Que perceção, achamos, que tem a sociedade em relação a nós? E qual é a nossa própria perceção? Como valoriza, hoje, a hierarquia da Igreja Católica o papel das confrarias? O que levou a que confrarias religiosas que surgiram recentemente na nossa terra e que, orgulhosamente usavam as suas insígnias, tenham, praticamente, desaparecido poucos anos depois.
Mas, o imediato que nos pressiona, não pode, não deve, coibir-nos de perspetivarmos o futuro. Efetivamente, na era do imediatismo, da informação instantânea e acrítica, da sociedade hedonista, do egoísmo das pessoas e das nações, do Estado que tudo provê e tudo controla, que sentido fará para a juventude o nosso discurso de hoje?
Quando tudo parece querer afastar-nos de Deus. Quando a Caridade como expressão de amor ao próximo, que já foi a matriz das confrarias no passado, parece já não ter espaço nas sociedades que construímos, que novos caminhos devemos explorar? Deveremos protagonizar a resistência usando os mesmos métodos ou deveremos reinventar-nos para dar novas respostas a novos desafios integrando, sempre, a vanguarda dos que divulgam e vivem a palavra de Deus?
Tantas perguntas, para tão poucas respostas!
Ou as respostas estiveram sempre lá.
O compromisso que assumimos obriga-nos à mobilização de energias e vontade e nós, homens de Fé, acreditamos que, na altura própria, o Espírito Santo, fará o resto.
No nosso caso, cabe-nos promover e fomentar o culto à Santíssima Virgem e criar nos nossos membros e, por meio deles, em todos os católicos, uma devoção ardente e amor filial à Senhora da Conceição (artigo 2º dos Estatutos).
Para concretizarmos isso só há um caminho: dar testemunho. Não há outro!
Os processos, as formas de atuação, as atividades, compreensivelmente diversas de confraria para confraria face às circunstâncias e ao envolvimento, desde que orientados pela devoção, que deve ser a nossa matriz, serão importantes, mas não serão o essencial.
Deem as confrarias (os seus confrades e as suas confreiras) testemunho da sua devoção e da conformidade com os ensinamentos do Senhor e só por isso justificarão a sua existência.
Bom trabalho.